Sarampo: uma nova, velha conhecida doença

Por Honorina de Almeida • Dra. Nina

Há muitos anos atrás quando ainda estava na residência existiam doenças que eram chamadas de “próprias da infância”. Em uma época com poucos recursos de prevenção, eram comuns hospitais de doenças infectocontagiosas com enfermarias lotadas de crianças com sarampo, coqueluche, paralisia infantil, difteria e etc.

Era normal ver tantas vidas perdidas praticamente antes de começarem, mas longe de ser um destino natural. Com a evolução da medicina muito se conquistou, principalmente em relação ao que chamamos de mortes evitáveis na infância.

Em relação ao sarampo, somente em 1954 o vírus foi isolado e em 1963 a vacina desenvolvida. Ainda na década de 60 chegou ao Brasil, mas como era importada, poucas crianças tinham acesso. Em 1973, foi criado o Programa Nacional de Vacinação e em 1974, começaram as famosas campanhas de vacinação, mas apenas nas áreas urbanas, pois a quantidade de vacinas permitia uma cobertura apenas parcial.

Somente em 1983, com a ajuda de pesquisadores japoneses e do governo japonês, o Brasil (Fiocruz, em Manguinhos) iniciou a produção da vacina. Em 1992, foi deflagrada uma campanha que conseguiu vacinar 96% das crianças entre 9 meses e 14 anos . Com essa medida houve uma redução de 81% nos casos notificados de sarampo. A mortalidade também caiu de 3386 casos em 1979 para 7 casos em 1995.

Após muitos anos de vigilância e investimento, 2016 o Brasil finalmente recebeu o certificado de País livre do sarampo. No entanto, com a queda em 20% na cobertura vacinal em 2017, em 2018 os casos importados que eram rapidamente contidos começaram a se espalhar, inicialmente em Roraima, Amazônia e Pará e no momento estamos vivendo um surto em 7 estados. Infelizmente São Paulo está liderando com um aumento de 486% dos casos em apenas 40 dias de epidemia.

Como se dá a transmissão do sarampo?

Um pessoa doente pode facilmente espalhar o vírus através da tosse e espirros e é altamente contagioso. Pode também ser transmitida através do contato com a saliva ou secreções nasais. Nove em cada dez pessoas que não estão imunizadas e partilham um espaço com uma pessoa infetada contraem a doença.

Quando uma pessoa infectada pode transmitir o vírus?

As pessoas infetadas podem infectar outras pessoas desde quatro dias antes até quatro dias depois do aparecimento das manchas vermelhas.

Como suspeitar se minha criança está com sintomas de sarampo?

Os sintomas começam a aparecer entre dez e doze dias depois do contágio e os principais sinais são febre, que pode ser alta, tosse, coriza, conjuntivite e prostração ( parece uma gripe forte). Dois ou três dias após os primeiros sintomas notamos no interior da boca, na face interna da bochecha pequenos pontos brancos, chamados de sinais de Koplik. E logo após vão aparecendo várias manchinhas vermelhas (exantema maculopapular) que se iniciam atrás da orelha, pescoço indo para a face (podem ficar tão juntas que pode parecer uma mancha única) e se espalham para o resto do corpo. A duração da doença é de 7 a 10 dias.

Em cerca de 30% dos casos ocorrem complicações, as quais podem incluir, entre outras, diarreia, otite, pneumonia e se não cuidados, até outros mais sérios.

Como é feito o diagnóstico?

Inicialmente pelo sintomas clínicos e confirmado por exame de sangue.

Qual o tratamento?

Não existe tratamento contra o vírus, no entanto o tratamento que chamamos de apoio é muito importante para prevenir as complicações. Hidratação, repouso, alimentos saudáveis e observação. Em caso de alguma complicação como por exemplo pneumonia será necessário o uso de antibiótico.

Como prevenir a doença?

vacina contra o sarampo é muito eficaz na prevenção da doença (97%). Antigamente a recomendação era de uma dose, mas desde a alguns anos temos recomendado duas doses.

Quem deve tomar a vacina?

A recomendação habitual: todas as crianças de 12 meses a menores de sete anos (seis anos, 11 meses e 29 dias): devem tomar duas doses. Uma dose aos 12 meses (tríplice viral) e a segunda dose aos 15 meses (tetra viral);
Pessoas de sete a 29 anos que não foram vacinadas anteriormente: devem receber também duas doses da vacina tríplice viral, com o intervalo mínimo de 30 dias entre elas;

Pessoas até 29 anos com uma dose da vacina: devem receber um reforço
Pessoas de 29 até 59 anos de idade completos em 2019 (nascidos a partir de 1960) que não foram vacinados anteriormente: devem receber apenas uma dose da vacina tríplice viral;

Atenção: devido ao aumento de casos em bebês abaixo de 1 ano, desde o dia 23 de julho de 2019 a Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de São Paulo está recomendando que todos os bebês entre 6 meses e 1 ano devem ser vacinados. Essa é uma dose extra. Com 12 meses deve seguir o calendário normal.

Quem não deve tomar a vacina?

Gestantes ou pessoas com alguma doença que provoca imunodepressão (ex: câncer) ou que tomam algum medicamento imunossupressor.

Mãe que está amamentando pode tomar a vacina?

Mães amamentando podem tomar a vacina.

Se a criança vacinada tiver contato com outra com sarampo, o que fazer?

Em caso de contato, nesse momento o Ministério da Saúde está recomendando dar a vacina mesmo se a criança tiver duas doses.

Em caso de dúvida entre em contato com o pediatra da criança

 Para saber mais: Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/index.php?p=261046

Portal Saúde – Ministério da Saúde-Situação epidemiológica do Sarampo

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