A chegada do outono e suas doencinhas!

Por Tatiana Sano – Pediatra especializada em Pneumologia

O outono chegou e as doenças respiratórias também, gripe, resfriado, bronquiolite… vamos falar de todas, mas no post de hoje falaremos da Bronquiolite.

Bronquiolite Viral Aguda é uma doença que acomete crianças menores de 2 anos. É uma das principais viroses responsáveis pelas internações e idas ao pronto socorro nesta época do ano, para esta faixa etária.

É causada por vírus, que inflamam a mucosa que reveste a parte interna dos bronquíolos. Esta inflamação leva a um inchaço e produção de muco dentro dos bronquíolos. O ar passa com dificuldade provocando o principal sintoma da Bronquiolite o “chiado”= sibilos.

Por que acomete crianças menores que 2 anos?
Por causa do pequeno calibre das vias aéreas qualquer inchaço de suas paredes ou a mínima quantidade de muco já podem ser suficientes para provocar uma obstrução importante na passagem de ar. Além disso, a imunidade dos lactentes para estes vírus respiratórios ainda é pequena.

Quais são os principais vírus que causam Bronquiolite:
Vírus Sincicial Respiratório-VSR (75%), Rinovírus (39%), Coronavirus (21%), Influenza (10%).

Qual os sintomas?
Inicia com os sintomas de um resfriado comum como coriza, obstrução nasal, tosse e febre. Em 3-4 dias evolui com piora da tosse, chiado e desconforto respiratório (respiração rápida, ofegante). A maioria das crianças se recupera em cerca de 1-2 semanas mas em alguns casos a tosse e o chiado podem persistir até um mês. A Bronquiolite pode ser mais séria nos menores de 3 meses, nos que nasceram prematuros ou quando o bebe é portador de alguma doença crônica (cardiopatia, doença renal, etc…). Frequentar creches, viver em casas com muitas pessoas ou conviver com fumantes também são fatores que podem agravar o quadro..

Como o diagnóstico é feito?
O diagnóstico é feito baseado na história clínica e no exame físico. Radiografia do tórax, exame de sangue ou pesquisa viral devem ser realizados apenas nos casos moderados/graves ou quando é necessário excluir outras doenças. Nos casos mais simples basta a avaliação clinica.

Quais são as complicações mais comuns?
Na maioria das vezes a bronquiolite evolui bem e sem complicações. Nos casos mais sérios, devemos nos preocupar com a desidratação, insuficiência respiratória (perda da capacidade de oxigenar o corpo com a respiração) ou infecção bacteriana (otite seria a complicação bacteriana mais comum, a pneumonia é raro, menos de 0,9%).

Quando levar ao pronto-socorro?
1. Desconforto respiratório = Respiração rápida, A barriga sobe e desce muito e rápido, ou a musculatura entre as costelas ou a fúrcula (aquele buraquinho no meio do pescoço) afundam, ou as asas do nariz se elevam.
2- Sinais de desidratação: diminuição da urina, boca seca, choro sem lagrima e pulso acelerado ou Recusa alimentar)
3- Cianose= lábios ou mãos e pés arroxeados, azuis.
4- Sonolência excessiva ou irritabilidade excessiva (quando sem febre o bebê ficar muito caidinho ou irritado.

Tratamento
Uma vez que a doença é causada por vírus, ainda não há medicações eficazes e seguras. O tratamento tem como objetivo melhorar os sintomas: tosse, chiado, desconforto respiratório e tentar manter o bem estar do bebê.
1- Tentar manter a alimentação – oferecer mais vezes em menores quantidades, com cuidado para não engasgar.
2- Lavagem nasal, pois a obstrução nasal piora o desconforto respiratório e dificulta a alimentação
3- Inalação com soro fisiológico para tentar fluidificar o muco e secreções nasais
4- Elevar a cabeceira do berço em 30° para dormir (levantar todo o colchão,ou a cabeceira do berço).
5- Algumas vezes pode ser necessário o uso de medicamentos (broncodilatadores e outros), mas eles ajudam somente nos casos mais sérios.
6- suporte ventilatório (ajudar a manter a oxigenação e amenizar o esforço respiratório).

Prevenção
O fator mais importante é lavar as mãos com frequência, pois o contágio da doença se dá principalmente pelas mãos e por objetos contaminados com os vírus. Evitar idas com os bebes em lugares fechados, com pessoas doentes, pois os vírus podem ficar em suspensão no ar após tossir ou espirrar por alguns minutos e também contaminar o ambiente, por isso a importância também de se colocar as mãos na frente da boca ao tossir ou espirrar e lavá-las em seguida. Outras medidas importantes são: evitar exposição das crianças ao cigarro, a vacinação anual para influenza e o aleitamento materno. Uma vez doente a pessoa pode transmitir o vírus em media de 3-8 dias, podendo ser por mais tempo se estiver com imunidade mais baixa.
Está em estudo vacina contra o VSR, e existe o anticorpo contra o VSR, mas com indicações precisas para realizar seu uso (prematuros cardiopatas ou com doença pulmonar).

Prognóstico
A bronquiolite é uma doença em geral benigna e auto-limitada, no VSR existe a possibilidade de o lactente evoluir com hiperreatividade brônquica e ter outras crises de chiado ao ficarem resfriados/gripados novamente, por um certo período.

Referências Bilbliográficas:
1- Shawn L. Ralston, Allan S. Lieberthal, et all. Clinical Practice Guideline: The Diagnosis, Management, and Prevention of Bronchiolitis. Pediatrics, 2014; 134;e 1474
2- Hyvarien, Acta Paediatr 2005; 94: 1378
3- Stein, Lancet 1999; 354: 541
4- Petruzella FD, Gorelick MH, Duration of illness in infants with bronchiolitis evaluated in the emergency department. Pediatrics, 2010; 126(2):285
5- Shazberg G, Revel-Vilk S, Shoseyov D, Bem-Ami A, Klar A, The clinical course of bronchiolitis associated with acute otitis media. Arch DIS child 2000; 83(4):317
6- Up to date- Bronchiolitis in children, diagnosis, management, treatment and prevention

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